
Alckmin tunga um AeroLula a cada 266 diasFolha de São Paulo ELIO GASPARI O tucanato paulista consumou um cruel estelionato eleitoral. Aos fatos: Em maio do ano passado, a Prefeitura petista de São Paulo criou uma nova modalidade de tarifa de transporte público. Chamou-se "Bilhete Único" e, com ele, um cidadão pode andar de ônibus por duas horas ao preço de R$ 1,70. Não importa a quantidade de vezes que embarca nem o sentido em que viaja. O número de viagens diárias feitas com o bilhete único já bateu a casa do milhão. Enfim, uma boa notícia no andar de baixo de uma cidade onde, em 2003, 100 mil pessoas faziam a pé, todos os dias, percursos de mais de uma hora de duração. Durante a campanha eleitoral essa iniciativa foi um dos estandartes da administração petista. No dia 27 de outubro, dias antes do segundo turno da eleição, o programa de televisão do candidato tucano José Serra informava: "Com Serra na prefeitura o bilhete único será estendido ao trem e ao metrô". Menos de duas semanas depois da posse de Serra, o governador Geraldo Alckmin, candidato à Presidência da República, impôs um aumento de tarifas anti-social. Suprimiu descontos que beneficiavam a patuléia. As passagens de trem e metrô passaram de R$ 1,90 para R$ 2,10. O doutor Alckmin reclamou da compra do AeroLula, mas, com essa tunga, a cada 266 dias ele toma da escumalha paulistana um ervanário equivalente ao preço do avião do companheiro. A conta: estimando-se que a cada dia são comprados 3 milhões de bilhetes na rede estadual, o aumento de R$ 0,20 rende R$ 600 mil. O AeroLula custou R$ 160 milhões. Com uma diferença: os impostos que pagam o Airbus saem do andar de baixo e do andar de cima. O aumento das passagens de Alckmin só avança no bolso de quem tem menos. Pode-se argumentar que os aumentos de tarifas são necessários para manter o equilíbrio financeiro das empresas. Tudo bem. O aumento de 10,5% para o trem e o metrô, e de 14,8%, na média, para os ônibus intermunicipais ficou abaixo da inflação dos últimos dois anos, que passou dos 16%. No ano eleitoral de 2004, as tarifas ficaram congeladas. No de 2006, deverá acontecer o mesmo. O estelionato tucano expressa-se numa segunda característica do aumento. Um partido que prometia a extensão do bilhete único praticou o oposto: restringiu o pequeno desconto que oferecia, usufruído por cerca de 50% dos usuários. Os passageiros da rede de transporte dos tucanos pagavam R$ 3,60 pelo bilhete que cobria duas viagens. (Uma economia de R$ 0,10 por percurso.) Alckmin simplesmente confiscou a vantagem. Para quem compra bilhetes de dez viagens, mordeu-se metade do desconto. Era de R$ 2 e passou a R$ 1. Não se trata de ter esquecido uma promessa eleitoral. O PSDB prometeu uma coisa e fez o contrário. Prometeu transporte mais barato e deu transporte mais caro, tungando descontos. Alckmin e sua ninhada tucana devem achar que os cartões de crédito também são "bilhetes únicos". Afinal, com um único cartão pode-se comprar uma roupinha na Daslu, um carrinho na revendedora da Audi e sandálias Havaianas personalizadas no shopping Iguatemi. Como tucano não anda de ônibus, a confusão é compreensível. Copiado por someone 10h22 |
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