xXx


Come Rain or Come Shine

I'm gonna love you, like nobody's loved you
Come rain or come shine
High as a mountain, deep as a river
Come rain or come shine
I guess when you met me
It was just one of those things
But don't you ever bet me
'Cause I'm gonna be true if you let me
You're gonna love me, like nobody's loved me
Come rain or come shine
We'll be happy together, unhappy together
Now won't that be just fine
The days may be cloudy or sunny
We're in or out of the money
But I'm with you always
I'm with you rain or shine



Copiado por someone 17h20



Homens, esses obsoletos

ailin

Será mesmo que as mulheres são tão independentes quanto parecem?

Por Ailin Aleixo


Olhe para aquela presidente de empresa, pra prefeita de São Paulo ou pra esta colunista: todas donas de si, independentes, articuladas. Todas colocaram o mundo em seus bolsos e seguiram em frente, firmes, do alto de seus saltos. Nenhuma demonstra desânimo, fragilidade afinal, bem-sucedidas, bonitas (algumas), do que poderiam reclamar? Relacionamentos não são prioridade em suas vidas: os projetos pessoais são muito mais importantes e grandiosos do que a perspectiva de ter alguém para jantar num sábado à noite. Aliás, os homens vêm se tornando cada vez mais dispensáveis e entediantes. Excetuando o sexo, temos com as amigas tudo o que poderíamos obter da companhia de um homem, com a vantagem de não precisarmos omitir os pensamentos espúrios e politicamente incorretos em prol de uma atitude elegante. Chegou o tempo em que nos bastamos.

O parágrafo acima é uma grande mentira.

O feminismo certamente foi o responsável por profundas mudanças sociais e comportamentais é por causa dele que escrevo aqui, numa revista masculina. Por causa do triunfo de seus ideais que estudei, moro sozinha e ainda não casei. Se minhas amigas nunca tivessem queimado sutiãs, provavelmente agora eu estaria em casa tricotando um colete pro meu marido pançudo enquanto cuidava, à beira da insanidade, dos nossos três filhos gordos. Mas o tempo passou, a sociedade mudou, as mulheres já não precisam mostrar os dentes feito feras para fazer o que querem da vida: é só fazer. O problema é que todo esse esforço por libertação deixou um certo rancor residual, uma necessidade insaciável de provar auto-suficiência, um comportamento defensivo e acusatório perante os homens. E, como conseqüência, formou-se uma geração de mulheres que vagam por aí, carentes e incapazes de pedir carinho, tão poderosas quanto sozinhas.

É DURO SER O MÁXIMO
No afã de repelir tudo o que significaria levar a vida de nossas avós filhos, casa, cachorro, casamento , jogamos fora uma parte imensa de nós, algo que nenhuma fogueira de sutiã vai mudar: nossa necessidade intrínseca de receber e dar afeto, poder ser frágil quando a vida é dura, ficar deitada ao lado do homem que se ama e, por que não, cuidar dele quando isso se faz necessário ou desejado. Apagamos isso de nossos registros e substituímos por uma atitude vigilante, pronta pra competir (e, invariavelmente, ganhar), defendendo a qualquer preço a liberdade que, por culpa de alguma neurose secreta, sentimos poder ser tirada de nós a qualquer instante. Um patológico pavor da burca, que nos faz repelir os ímpetos protetores masculinos como se fôssemos ser amarradas ao pé da cama. Nos tornamos ditadoras neuróticas, tal qual os homens que provocaram nossa ira. Décadas depois, continuamos nos sentindo incompreendidas e solitárias só que, agora, na margem contrária.

A verdade é que, por detrás da grossa armadura, nosso desejo inconfessável é voltarmos a ser ternas e perdermos o medo de que isso seja usado contra nós. É não nos sentirmos patéticas por desejarmos, vez por outra, ser cobertas de gentilezas. Tudo de que precisamos é que alguém nos ajude a sair da torre que construímos para nos defender, porque é muito frio aqui em cima.



Copiado por someone 00h58



O interminável domingo de garoa

Ailin

O tédio pode significar muito mais do que você imagina

Por Ailin Aleixo

Vivemos horas nas quais tudo parece suspenso feito poeira no ar. Um irritante slow motion. Por mais que se acelere, o motor não responde ao comando. Ao redor, as coisas seguem na velocidade normal, só nós ficando pra trás a observá-las se distanciar e tomar seu rumo. E isso é tudo o que gostaríamos de ter, um rumo.

Mas não temos. Naqueles instantes, os caminhos à nossa frente parecem aborrecidos e sem cor, mas o dia está aí e o cumprimos, passando ao largo da depressão, a milhas do autocompadecimento não estamos assolados pela tristeza. Não. O problema é que não somos assolados por nada além de um tédio indescritível. Cadê o entusiasmo? Quando ele falta, tudo o que nos toca soa igual, nada muito bom, nada muito mau. Nos enfurecemos por não estarmos felizes apesar de termos todo o material para isso. Por sentirmos uma necessidade indefinível de algo mais: mais brilhante, mais excitante, mais apaixonante. Algo forte o bastante para nos fazer acordar e ter vontade, seja lá do que for. Qualquer coisa que nos deixe famintos e sedentos. Então eles chegam, os sensatos. Dizem para recobrarmos o bom senso e entender, de uma vez por todas, que a felicidade está numa satisfação tênue, sem grandes vértices. Tarde de outono.

Numa dessas voltas da vida, ela vem e nos encontra. Durante algum tempo respiramos tranqüilos alguns se mantêm assim até cerrarem os olhos, os sortudos , outros notam algo de errado nessa satisfação. É comida que não sustenta, luz de relâmpago. Assustados, culpam-se por não se satisfazerem, por precisarem de outros erros, paisagens, amores, brigas. Sonham com uma sensação que jamais experimentaram e sequer sabem se existe. Crêem numa alegria maior, confiam nela. Pessoas de fé. Fé numa existência plena de sentido e esvaziada de resignação. Podem ser ingênuos, mas e daí? O que importa é a coragem de tentar ser mais.

VOCÊ TEM CERTEZA?
Aceitar a mediocridade como destino nos faz rascunhos do que poderíamos ser se bancássemos nossos desejos e abolíssemos o discurso a vida é assim mesmo. Não é, e algo em nós sabe disso e clama por um sentido. Alguns, por pânico do desconhecido, se fingem de mortos até o questionamento passar. Infelizmente, uma hora ele passa. E leva consigo milhares de oportunidades ignoradas, não vividas.

Há pessoas que se contentam com o que suas mãos alcançam. Outras, almas inquietas, trazem em si a urgência visceral de ir além. Sabem que cada momento da busca tem uma razão, principalmente os difíceis (sem dúvida eles existirão). Seguem ao encontro da plenitude, mesmo sem saber se ela é um delírio ou uma conquista pessoal possível. Será esse o quinhão de prazer que nos cabe? Como saber se é melhor ficar com o que quase nos satisfaz ou arriscar conseguir o que realmente se deseja? Como ter certeza de que o prêmio vale o perigo?

Não dá pra ter certeza, o negócio é baseado no risco. E é quando arriscamos topar com a dor que nos tornamos inteiros. Só no instante em que decidirmos viver plenamente é que poderemos, enfim, começar a ser felizes.



Copiado por someone 00h55

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