
Come Rain or Come ShineI'm gonna love you, like nobody's loved you Copiado por someone 17h20 Homens, esses obsoletos
Será mesmo que as mulheres são tão independentes quanto parecem? Por Ailin Aleixo
O parágrafo acima é uma grande mentira. O feminismo certamente foi o responsável por profundas mudanças sociais e comportamentais é por causa dele que escrevo aqui, numa revista masculina. Por causa do triunfo de seus ideais que estudei, moro sozinha e ainda não casei. Se minhas amigas nunca tivessem queimado sutiãs, provavelmente agora eu estaria em casa tricotando um colete pro meu marido pançudo enquanto cuidava, à beira da insanidade, dos nossos três filhos gordos. Mas o tempo passou, a sociedade mudou, as mulheres já não precisam mostrar os dentes feito feras para fazer o que querem da vida: é só fazer. O problema é que todo esse esforço por libertação deixou um certo rancor residual, uma necessidade insaciável de provar auto-suficiência, um comportamento defensivo e acusatório perante os homens. E, como conseqüência, formou-se uma geração de mulheres que vagam por aí, carentes e incapazes de pedir carinho, tão poderosas quanto sozinhas. É DURO SER O MÁXIMO A verdade é que, por detrás da grossa armadura, nosso desejo inconfessável é voltarmos a ser ternas e perdermos o medo de que isso seja usado contra nós. É não nos sentirmos patéticas por desejarmos, vez por outra, ser cobertas de gentilezas. Tudo de que precisamos é que alguém nos ajude a sair da torre que construímos para nos defender, porque é muito frio aqui em cima. Copiado por someone 00h58 O interminável domingo de garoa
O tédio pode significar muito mais do que você imagina Por Ailin Aleixo Vivemos horas nas quais tudo parece suspenso feito poeira no ar. Um irritante slow motion. Por mais que se acelere, o motor não responde ao comando. Ao redor, as coisas seguem na velocidade normal, só nós ficando pra trás a observá-las se distanciar e tomar seu rumo. E isso é tudo o que gostaríamos de ter, um rumo. Mas não temos. Naqueles instantes, os caminhos à nossa frente parecem aborrecidos e sem cor, mas o dia está aí e o cumprimos, passando ao largo da depressão, a milhas do autocompadecimento não estamos assolados pela tristeza. Não. O problema é que não somos assolados por nada além de um tédio indescritível. Cadê o entusiasmo? Quando ele falta, tudo o que nos toca soa igual, nada muito bom, nada muito mau. Nos enfurecemos por não estarmos felizes apesar de termos todo o material para isso. Por sentirmos uma necessidade indefinível de algo mais: mais brilhante, mais excitante, mais apaixonante. Algo forte o bastante para nos fazer acordar e ter vontade, seja lá do que for. Qualquer coisa que nos deixe famintos e sedentos. Então eles chegam, os sensatos. Dizem para recobrarmos o bom senso e entender, de uma vez por todas, que a felicidade está numa satisfação tênue, sem grandes vértices. Tarde de outono. Numa dessas voltas da vida, ela vem e nos encontra. Durante algum tempo respiramos tranqüilos alguns se mantêm assim até cerrarem os olhos, os sortudos , outros notam algo de errado nessa satisfação. É comida que não sustenta, luz de relâmpago. Assustados, culpam-se por não se satisfazerem, por precisarem de outros erros, paisagens, amores, brigas. Sonham com uma sensação que jamais experimentaram e sequer sabem se existe. Crêem numa alegria maior, confiam nela. Pessoas de fé. Fé numa existência plena de sentido e esvaziada de resignação. Podem ser ingênuos, mas e daí? O que importa é a coragem de tentar ser mais. VOCÊ TEM CERTEZA? Há pessoas que se contentam com o que suas mãos alcançam. Outras, almas inquietas, trazem em si a urgência visceral de ir além. Sabem que cada momento da busca tem uma razão, principalmente os difíceis (sem dúvida eles existirão). Seguem ao encontro da plenitude, mesmo sem saber se ela é um delírio ou uma conquista pessoal possível. Será esse o quinhão de prazer que nos cabe? Como saber se é melhor ficar com o que quase nos satisfaz ou arriscar conseguir o que realmente se deseja? Como ter certeza de que o prêmio vale o perigo? Não dá pra ter certeza, o negócio é baseado no risco. E é quando arriscamos topar com a dor que nos tornamos inteiros. Só no instante em que decidirmos viver plenamente é que poderemos, enfim, começar a ser felizes. Copiado por someone 00h55 |
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